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Jardim Bíblico - A Partilha da Palestina


Desde a destruição do Templo e a conquista da Palestina pelos romanos, a quase totalidade dos judeus foram dispersos. Todavia, nunca apagou a chama ardente do retorno a sua terra, movimento sionista, prometida no passado aos descendentes do patriarca Abraão.

Posteriormente, estando a Palestina como um protetorado britânico, ocorria na região grandes divergências entre árabes, judeus e ingleses, causando prejuízos, destruições e mortes. Esta situação de difícil controle se agravava dia a dia com a chegada clandestina de judeus, causando indignação tanto a árabes como a ingleses.

Entretanto, esta comunidade se consolidava cada vez mais, saneando regiões, desenvolvendo a agricultura e criado instituições necessárias ao bem-estar humano.

Em 1917, a Inglaterra, sob o reinado do rei George V, o Lord Balfour afirmou que o governo de Sua Majestade era favorável a criação de um lar nacional judaico na Palestina.

Em maio de 1936, foi constituída pelos mandatários britânicos a Comissão Peel, comandada por William Peel, político e empresário inglês, incumbida de resolver os graves conflitos entre árabes, judeus e ingleses, inclusive de árabes contra os árabes os quais não se opunham a Comissão Peel.

Vários líderes judaicos do movimento sionista, como Chaim Weizmann, David Ben-Gurion e Zeev Jabotinsky, prestaram depoimento perante a Comissão Peel. Puseram em exaltação o movimento sionista que já havia sido posto em destaque por Theodor Herzl no primeiro Congresso Mundial Sionista em 1897.

A seguir, em 1937, dentre vários notáveis, foi destaque a figura de David Ben-Gurion enfatizando que os direitos judeus na Palestina não decorrem de mandato, nem de decisões e acordos e sim dos registros bíblicos escritos anteriormente pelo povo judeu nesta terra. Convêm lembrar o registro bíblico:

“Dominava Salomão sobre todos os reinos desde o Eufrates até a terra dos Filisteus e até o termo do Egito” [I Reis – 4.21].

Finalmente, a Comissão Peel propôs uma partilha ficando os judeus com 13% do território, os árabes com 80% e os ingleses com o restante.

Os judeus aprovaram por ser um primeiro passo para a sua conquista a qual poderia ser ampliada mais tarde.

Em fevereiro desde mesmo ano, na Câmara dos Lordes, Jabotinsky defendeu os direitos judaicos na Palestina. Também Weizmann falou em Londres, a portas fechadas, advertindo os ingleses a respeito de decisões a serem tomadas, principalmente com relação a Jerusalém, onde as tensões são mais acirradas.

Weizmann informou pessoalmente ao primeiro-ministro inglês Sir Winston Churchill do plano da partilha, ainda em gestação, mas este não aprovou. “Esta decisão é uma miragem”, teria dito Churchill. Os judeus deviam “perseverar, perseverar e esperar! ”. Churchill temia a derrota dos judeus devido a superioridade populacional dos árabes sobre os judeus. Havia na Palestina 1 milhão e 200 mil árabes e apenas 570 mil judeus.

Logo após, ocorreu o 20º Congresso Mundial Sionista em Zurique. Chaim Weizmann pediu aos 484 delegados que aprovassem a partilha tal como fosse sugerida porque “trata-se de uma proposta revolucionária que abre caminho para o nosso objetivo”. Finalmente o plano da Comissão Peel foi aprovado com 300 notas favoráveis, 158 contra e 26 abstenções.

Os árabes rejeitaram a decisão alegando não concordarem com a ocupação territorial judaica na região, por menor que fosse, e deram continuidade a violência até 1939.

Neste ano, os ingleses emitiram o infame “White Paper” que, além de proibir a imigração de judeus para a Palestina, também anulou a Comissão Peel.

Portanto ficaria mantida a situação de protetorado britânico, desagradando árabes e mais ainda os judeus, inclusive proibidos da sua crescente imigração para a região.

Mas, a decisão da partilha não pereceu e veio a germinar mais tarde.

Em 1947, o chanceler britânico Bevin encaminhou a ONU, sediada nos Estados Unidos, a proposta da criação de uma Comissão Especial das Nações Unidas para a Palestina (United Nations Special Committee on Palestin - UNSCOP).

A UNSCOP deveria percorrer toda a região da Palestina e propor soluções entre árabes e judeus.

A criação da UNSCOP agitou a delegação da agência Judaica (órgão representativo da comunidade judaica da Palestina – ishuv) que nomeou Moshe Sharett para acompanha-la na ONU, tendo como seu braço direito o economista David Horowitz. E, como segundo observador, convidado por Sharett, assumiu esta incumbência Audrey Sacks, que se tornaria uma celebridade mundial com o nome de Abba Eban.

Moshe Sharett, antes de partir para os Estados Unidos, narrou que o ambiente na Inglaterra era de rancor não só por parte de Bevin, chanceler britânico que recusou receber Weizmann, como inclusive um membro da Câmara dos Comuns ter afirmado que o problema da Palestina só seria resolvido com guerra e não com relatório.

Eban com mais dois companheiros mantiveram contato com Azzam Pasha, secretário geral da Liga árabe, propondo a ele um acordo que beneficiaria tanto a árabes como a judeus. Pasha respondeu que qualquer acordo seria resolvido conforme decisão da Liga Árabe ou pela força das armas, pois considerava os judeus na Palestina como invasores.

No dia 15 de maio de 1947, a UNSCOP foi oficialmente confirmada pelas Nações Unidas.

Logo a seguir, no dia 18 de junho, a UNSCOP iniciou a sua peregrinação. Começou por Jerusalém e percorreu toda aquela região, mantendo sucessivas audiências públicas, ouvindo judeus, árabes e cristãos maronitas.

Depois da Palestina foi para o Líbano, onde foi recebido pelo primeiro-ministro, pelo seu chanceler e com representantes da Liga Árabe. A seguir, foram para a Transjordânia com o rei Abdullah. Em todos esses contatos teve algumas opiniões favoráveis, mas a maioria delas indesejáveis.

Em 26 de junho, estavam em Genebra e um subcomitê percorreu a Alemanha e Áustria e em contato com sobreviventes judeus de campos de refugiados dos quais 90% queriam emigrar para a Palestina.

Os onze membros da UNSCOP completaram o seu relatório em 31 de agosto de 1947 do qual constava dez recomendações. A primeira seria o fim do mandato britânico na Palestina; Jerusalém ficaria sob a tutela das Nações Unidas; a Palestina seria dividida, conforme mapa preparado, cabendo 55% da área para judeus e 45% para os árabes.

A decisão final sobre a partilha caberia às Nações Unidas (ONU).

Nesta ocasião, a ONU era presidida por Oswaldo Aranha (Oswaldo Euclides de Sousa Aranha), chefe da delegação brasileira na ONU, francamente favorável a partilha da Palestina.

Neste interim, os membros da UNSCOP intensificaram todos os seus contatos a fim de aliciarem os favoráveis à partilha, dentre os países representados na ONU.

No dia 27 de novembro, sob a presidência de Oswaldo Aranha, os líderes judaicos constataram a possibilidade de fracasso daquela reunião e em comum acordo resolveram dilatar os seus discursos a fim de extrapolar o tempo da reunião. O representante do Uruguai Rodriguez Fabregat, ex da UNSCOP, foi brilhante em seu prolongado discurso, não deixando transparecer a sua estratégia. Oswaldo Aranha num gesto amigável deu por encerrada a sessão.

No dia seguinte, por ser o “Dia de Ação de Graças” nos Estados Unidos houve uma prorrogação para a próxima reunião.

Este intervalo de tempo foi providencial para que os membros da UNSCOP pudessem convencer os indecisos e conquistar novos adeptos para apoiarem a partilha da Palestina.

O clima era tenso e numerosos repórteres e cinegrafistas de diferentes origens procuravam por todos os meios obter informações com os delegados votantes.

No dia 29 de novembro de 1947, reuniu-se novamente a assembleia das Nações Unidas (ONU) sob a presidência de Oswaldo Aranha. No decorrer da assembleia, a palavra foi dada a Thor Thors, embaixador islandês, o qual de forma imperativa declarou ser impossível um acordo e que a Assembleia Geral deveria tomar uma decisão. Tentaram um novo adiamento, mas Oswaldo Aranha, apoiado pelos Estados Unidos e pela União Soviética, impediu.

Diante desta situação de indecisão, Oswaldo Aranha pôs em votação e foram 33 a favor, 13 contra, 10 abstenções e uma ausência.

Assim, sob a presidência de Oswaldo Aranha foi aprovado em 29 de novembro de 1947 a partilha da Palestina, entre árabes e judeus.


Resumo do artigo “70 Anos da Partilha”, de Zevi Ghivelder, de dezembro de 2017.


São Paulo, 19 de julho de 2021.

Eng. Flávio Magalhães

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