Esta é uma história de gente
que faz. Ela tem como cenário a Represa Billings no Grajaú, na periferia da
Zona Sul da capital. É um lugar com ruas não pavimentadas, esburacadas e
estreitas, casas de precária alvenaria que abrigam famílias numerosas.
Ali um grupo
de jovens teve acesso a uma maneira de tornar seu duro cotidiano um pouco mais
suave e esperançoso. Às quartas e sábados, eles de reúnem na sala da sede do
Sítio das Águas, para tocar instrumentos como violino, trombone, flauta, e
assim dão corpo à formação da futura orquestra Sítio das Águas.
O professor de música
Atenício, com sua capacidade e carisma, tem conseguido resultados
extraordinários. Com as aulas teóricas e praticas regulares, vários alunos já
emocionam e surpreendem ao interpretar obras musicais.
“Quando vi a quantidade de
jovens e adultos que compareceram, pensei que não daria conta do trabalho”,
conta o maestro. “Temos uma fila de espera para o ano que vem. Se conseguirmos
patrocínio, este trabalho revelará jovens talentos e surpreenderá a todos”,
enfatiza Atenício - palavras de um missionário da música erudita e popular na
periferia de São Paulo.
Mais do que difundir compositores, ele se orgulha de
estar abrindo, principalmente para os mais novos, a perspectiva de uma
profissão. “Eles começam a descobrir que a música pode ser um meio de vida”,
diz. Alguns vão tentar estudar na Universidade Livre de Música.